A construção de alternativas para garantir a continuidade dos projetos e serviços oferecidos à população é um dos desafios das organizações da sociedade civil. Nesse cenário, os negócios sociais surgem como estratégias para ampliar a autonomia financeira das instituições, diversificar fontes de recursos e fortalecer o atendimento às comunidades.
Com esse propósito, o Instituto CAJU – Centro de Assessoramento Juventude Unida realizou a avaliação do Prêmio CAJU 2026, iniciativa vinculada ao Programa Terceiro Setor em Foco. A premiação busca reconhecer, incentivar e fortalecer projetos de negócios sociais desenvolvidos por organizações integrantes da Rede CAJU.
Ao todo, sete iniciativas participaram da avaliação, apresentando propostas que envolvem geração de renda, sustentabilidade institucional, inclusão produtiva, segurança alimentar, reaproveitamento de materiais e ampliação de oportunidades para pessoas em situação de vulnerabilidade social.
O processo avaliativo considerou três dimensões: diagnóstico institucional, mobilização popular por meio do Instagram e avaliação técnica realizada por uma comissão. A classificação final foi estabelecida pela soma das pontuações das três etapas, considerando o envolvimento das organizações e a consistência das propostas.
O projeto Do Escudo para as Ruas, do Esporte Clube Bem Bolado, conquistou o primeiro lugar, com 277 pontos. A iniciativa parte da trajetória comunitária da organização, que atua desde 2009 no território do Morro Doce, na Zona Noroeste de São Paulo, com atividades voltadas a crianças e adolescentes nas áreas de esporte, cultura e assistência social.
A proposta busca transformar experiências já desenvolvidas pela instituição em oportunidades de geração de receita, contribuindo para sua autonomia financeira e para a ampliação do atendimento à comunidade.
Na segunda colocação ficou a Associação ABC Mundo Novo, com o projeto Bazar Mundo Novo: Organização, Dignidade e Sustentabilidade, que alcançou 261,71 pontos. A iniciativa pretende qualificar a estrutura de um bazar já existente, aprimorando a organização das doações, o controle de estoque, as vendas e a comunicação com o público. O projeto também obteve a maior pontuação na avaliação técnica, com 91 pontos.
O terceiro lugar foi conquistado pela AME, com o projeto Linha Amoroso, que somou 258,88 pontos. A proposta reúne qualificação profissional, reaproveitamento têxtil e geração de renda, por meio da estruturação de uma linha de produtos com identidade institucional própria.
1º lugar: Esporte Clube Bem Bolado – Do Escudo para as Ruas: 277 pontos.
2º lugar: Associação ABC Mundo Novo – Bazar Mundo Novo: 261,71 pontos.
3º lugar: AME – Linha Amoroso: 258,88 pontos.
4º lugar: ASSET – Formando Campeões: 222,66 pontos.
5º lugar: AMEAS – Projeto inscrito no prêmio: 189,04 pontos.
6º lugar: Reciclando Esperança – Beleza e Autonomia: 147,09 pontos.
7º lugar: Associação Da Hora – Da Hora Sopão: 143,52 pontos.
As propostas participantes demonstram diferentes possibilidades de integrar geração de renda e impacto social às atividades das organizações.
Entre elas, o projeto Beleza e Autonomia, do Reciclando Esperança, prevê a qualificação prática de 30 mulheres, prioritariamente mães em situação de vulnerabilidade social. A iniciativa contempla atividades de autocuidado, manicure, maquiagem e empreendedorismo, com o objetivo de ampliar as oportunidades de geração de renda e fortalecer a autonomia econômica das participantes.
Já a Associação Da Hora apresentou o projeto Da Hora Sopão, que articula segurança alimentar, geração de trabalho e renda para mulheres e sustentabilidade institucional. A proposta prevê a produção e distribuição gratuita de sopas para pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade, associada à comercialização social de parte da produção.
O projeto Formando Campeões, da ASSET, e a iniciativa inscrita pela AMEAS também integraram a avaliação, contribuindo para a diversidade de experiências e estratégias apresentadas.
A análise técnica destacou que a estruturação de negócios sociais exige planejamento financeiro, organização operacional, definição de metas e acompanhamento de resultados. Outro aspecto importante é garantir que a geração de receita esteja alinhada à missão institucional, preservando o compromisso das organizações com os direitos sociais e a população atendida.
Mais do que estabelecer uma classificação, o Prêmio CAJU 2026 representa uma oportunidade de valorizar experiências desenvolvidas pelas organizações da sociedade civil e estimular a construção de alternativas para sua sustentabilidade.
A experiência evidencia que os negócios sociais podem assumir diferentes formatos, desde a comercialização de produtos e a prestação de serviços até iniciativas de inclusão produtiva, reaproveitamento de materiais e fortalecimento de atividades comunitárias.
Para o Instituto CAJU, o desenvolvimento dessas propostas está relacionado à capacidade das organizações de planejar, executar e avaliar suas ações, ampliar a autonomia institucional e construir caminhos para dar continuidade aos projetos e serviços oferecidos à população.
A premiação também reforça a importância da formação e do assessoramento técnico às organizações da sociedade civil. O fortalecimento institucional, nesse contexto, contribui para qualificar a gestão, diversificar as fontes de recursos e ampliar as possibilidades de atuação nos territórios.
Ao reconhecer as sete iniciativas participantes, o Instituto CAJU reafirma seu compromisso com o desenvolvimento do Terceiro Setor e com a construção de organizações mais sustentáveis, autônomas e preparadas para ampliar seu impacto social.
Fortalecer as organizações é também fortalecer os territórios, ampliar oportunidades e contribuir para a garantia de direitos e a transformação social.
Fonte: Instituto CAJU – Centro de Assessoramento Juventude Unida | Programa Terceiro Setor em Foco | Prêmio CAJU 2026.
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