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O Instituto Márcia Ferrari
Desde 2020 o Instituto Márcia Ferrari vem desempenhando papel fundamental na vida de diversas pessoas em Osasco/SP. Idealizado por Márcia Ferrari e seu marido, Reginaldo da Saúde Raimundo, o Instituto proporciona ambiente de acolhimento para aqueles que o buscam, através do tênis de mesa, rodas de conversa, oficinas e sempre com o olhar atento de Márcia às demandas do bairro.
A liderança comunitária não é algo novo para Márcia Ferrari, natural de Ribeirão Preto, já aos 14 anos encontrou na área sua vocação. Após seu casamento com Reginaldo, que compartilhava do mesmo propósito, foi natural que seguissem tentando fazer a diferença, encontrando no trabalho missionário – que realizaram por mais de duas décadas – a possibilidade de trazer conforto material e espiritual àqueles que precisam.
“nós levamos uma palavra de vida, de fé, para as famílias, mas ao mesmo tempo a gente ajuda as pessoas naquilo que elas precisam”
O casal chegou à Osasco em meio à adversidade, para conseguir cuidar de um membro da família que não passava bem. Mesmo assim, não deixaram de seguir com seus propósitos, abrindo uma “portinha” para continuar espalhando sua mensagem. Observando a grande quantidade de crianças ociosas na rua, surgiu a ideia da criação de um time de futebol (paixão antiga de Reginaldo), que chegou a contar com 120 participantes. Todavia, a pandemia impôs um novo recomeço ao casal, que teve de se realocar mais uma vez, impossibilitando que continuassem administrando o projeto de futebol - que felizmente ainda existe sob os cuidados do pai de uma das crianças do time.
Apesar das dificuldades, o projeto de futebol não seria o último fruto do trabalho de Márcia e Reginaldo. Em conversa com um amigo, o tênis de mesa foi proposto como opção de projeto social, assim, com apenas uma mesa da modalidade, surgiu a semente do novo projeto, que até hoje floreia e melhora a rotina de tantas pessoas.
Para além da prática do esporte, o projeto permite que as crianças e os jovens desenvolvam tanto um sentimento de companheirismo como a própria autoconfiança. A cooperação não se restringe ao jogo; os que sabem mais buscam ensinar os novatos as melhores técnicas, quem está esperando sua vez busca a bolinha quando ela vai longe. Márcia realça o papel das competições nessa autovalorização dos jovens:
“Quando eles vão, eles estão enfrentando de cara o adversário [...], que são alunos de escolas maravilhosas [...], ali mostra que você pode ir muito além, independente de onde você mora, independente da sua condição financeira, mostra que você tem valor.”
Outro projeto desenvolvido pelo Instituto é o “Primeira Amiga”. Idealizado buscando atender não só os jovens, mas também seu entorno, esta iniciativa é um verdadeiro “projeto das famílias”, envolvendo oficinas de capacitação, rodas de conversa e conscientização e a distribuição de alimentos (mesa solidária) – este último possível pela parceria com o Banco de Alimentos.
As rodas de conversa realizadas semanalmente ganham destaque, é através delas que a construção de autoconfiança e valorização própria ocorre, e através delas que o apoio e compreensão florescem.
“é uma mudança de mentalidade, a partir do conhecimento”
Com estes encontros e com o tempo, as participantes também vão se tornando voluntárias do projeto, ajudando nos bazares, na limpeza e até mesmo em reuniões na prefeitura. É uma real demonstração da capacidade do projeto de integrar e valorizar os membros da comunidade, de um trabalho de todos para todos.
Com os projetos desenvolvidos, o Instituto já impacta diariamente a vida de 65 famílias (30 famílias pelo tênis de mesa e 35 pelos projetos “Primeira Amiga” e “Mesa Solidária”). Além desse impacto direto às famílias cadastradas, a realização de campanhas e oficinas também permitem que esse alcance seja ainda mais abrangente. Com a ação do “maio laranja”, por exemplo, o Instituto conseguiu beneficiar mais 60 pessoas, que comparecerem ao local em razão do evento.
O orgulho de Márcia por tudo que foi conquistado, toda a diferença que foi feita na vida dos outros para melhor, é evidente. Mas esse orgulho não vem desacompanhado de uma dose de realismo. Perguntada sobre um conselho àqueles que desejam ser futuros líderes comunitários, Márcia é clara: não se perca em expectativas depositadas nos outros. Faça seu melhor, ajude, sabendo que cada um tem seu tempo.
Mesmo assim, o caminho é lindo e Márcia não questiona seu propósito e sua realização pessoal sendo líder comunitária. Seu lema não poderia ser outro, “Quem tem raiz, floresça!”.
Sensação
Vento
Umidade





