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Projeto Pra Ela Jogar transforma vidas em Carapicuíba

Por Tatiane Viana – Jornalista (MTB 0044987/RJ)

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10/11/2025 21h08Atualizado há 9 meses
Por: CAJU
Time do instituto ABCD - Projeto Pra Ela Jogar (Reprodução/Foto/Instituto ABCD/@praelajogar)
Time do instituto ABCD - Projeto Pra Ela Jogar (Reprodução/Foto/Instituto ABCD/@praelajogar)

O futebol tem o poder de unir, ensinar e abrir caminhos. Mas, em Carapicuíba, na Grande São Paulo, ele ganhou um papel ainda mais especial com o Projeto Pra Ela Jogar, iniciativa do Instituto ABCD.

Criado em 2022 por Ana Chagas e Mário, o projeto nasceu de um sonho e hoje já impactou a vida decerca de 70 meninas, mostrando que quando existe oportunidade, a bola pode rolar para muito além das quatro linhas.

O sonho que virou realidade
A idealizadora Ana Chagas trabalhou por 25 anos na área administrativa. Desde a adolescência, sonhava em atuar no serviço social, mas esse desejo ficou guardado até um momento decisivo. Em 2022, prestes a deixar a empresa onde trabalhava, Ana sonhou com um campo de futebol cheio de meninas jogando.

No dia seguinte, compartilhou o rascunho desse sonho com Mário Matsumori Junior, amigo que já atuava no futebol feminino. Juntos, transformaram a ideia em projeto e, em menos de uma semana, começaram a desenhar o que se tornaria o Para Ela Jogar.

Futebol como inclusão social
O projeto tem um diferencial importante: não é uma simples escolinha de futebol. O esporte é usado como ferramenta de inclusão social, ajudando meninas de 10 a 17 anos a desenvolverem autoestima, disciplina e perspectivas de futuro. Atualmente, cerca de 50 meninas estão matriculadas e participam de treinos duas vezes por semana, no contraturno escolar. O espaço é inclusivo e acolhe jovens de diferentes perfis, incluindo meninas com autismo e TDAH. E tudo é oferecido de forma gratuita.

Rede de apoio e parcerias
Logo no início, o Projeto Pra Ela Jogar contou com pessoas que acreditaram mesmo quando tudo ainda estava apenas no papel. Um dos apoiadores foi o empresário, conhecido em Carapicuiba como Sr. João da Del Rey, que ajudou a financiar a iniciativa e se tornou peça fundamental no início dessa história.
Com o tempo, outras portas se abriram. Um marco importante foi a chegada do Instituto Caju, que ajudou o Instituto ABCD a se estruturar melhor, tanto na parte administrativa quanto na captação de recursos.

“O Caju foi fundamental para nos ensinar a organizar o projeto como instituição. Eles mostraram que não bastava ter um sonho: era preciso estruturar cada etapa para crescer com responsabilidade”, lembra Ana.

 Hoje, a rede de parcerias é ampla: a prefeitura de Carapicuíba cedeu um campo para os treinos, supermercados fornecem lanches, clínicas médicas realizam exames cardiológicos e academias oferecem estrutura completa às atletas. Tudo isso permite que as meninas tenham acesso a pilares que vão além do futebol: saúde, educação e desenvolvimento social.

Histórias que emocionam
Em apenas dois anos de atuação, o projeto já impactou diretamente cerca de 70 meninas e, indiretamente, suas famílias e comunidades.
Entre as conquistas, duas jovens se destacaram: uma foi para o Corinthians e outra para o Centro Olímpico, mostrando que o talento descoberto dentro do campo pode abrir portas profissionais.

Outra história inspiradora é a de Flávia, que entrou no projeto ainda adolescente e, ao completar 17 anos, conseguiu seu primeiro emprego com apoio da equipe.

“Foi emocionante ver que conseguimos ser a ponte entre o projeto e a vida adulta”, conta Ana.

Transformação de quem lidera
Assim como as meninas, Ana também foi transformada pelo projeto. Tímida e acostumada a ficar nos bastidores do mundo corporativo, ela hoje lidera reuniões, negocia com parceiros e conduz a equipe.

“Foi um divisor de águas. Eu me encontrei. Saí de trás das planilhas para estar à frente de algo que faz sentido para mim e para tantas meninas”

Conquistas e desafios

Entre os maiores avanços, Ana destaca dois pontos: conseguir remunerar pessoas que começaram como voluntárias e conquistar visibilidade em tão pouco tempo. Reportagens em veículos de imprensa já mostraram o impacto do projeto, inclusive destacando histórias de meninas com autismo que tiveram suas vidas transformadas.

Mas os desafios continuam. O principal deles é garantir a sustentabilidade financeira do projeto para que ele possa crescer com bases sólidas.
O próximo passo é ampliar os polos do Projeto Pra Ela Jogar em Carapicuíba e, depois, em cidades vizinhas. A meta é alcançar mais meninas em áreas de vulnerabilidade e espalhar a metodologia do Instituto ABCD.

Outro plano é inaugurar um Centro Digital, que dará acesso à tecnologia não só para as atletas, mas também para seus familiares e para a comunidade. “Sonho não falta, mas cada degrau precisa ser firme. Queremos crescer com responsabilidade e com bases sólidas” Ana.

Uma mensagem de esperança
Mais do que formar atletas, o Projeto Pra Ela Jogar forma cidadãs, fortalece famílias e abre portas para futuros melhores. A mensagem de Ana resume o espírito da iniciativa: “Acredito muito em bênçãos disfarçadas. Toda porta que se fecha hoje pode ser o caminho para algo melhor
amanhã.”

Com apenas dois anos de história, o projeto mostra que quando há união, propósito e dedicação, é possível transformar destinos. E prova que o futebol, além de esporte, pode ser um verdadeiro campo de oportunidades.

Redes sociais: @praelajogar
Site: praelajogar.com.br

Reportagem de Tatiane Viana – Jornalista (MTB 0044987/RJ)

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